DESEJO [parte UM]
Meu nome é ONÇA,
Estou bem próximo dos 50.
Quase cinco décadas somadas, mas vividas em um Mundo, completamente Novo.
Onde quase nenhum de nós, entende as regras.
Ter quarenta e poucos anos em 2016, sem ostentar a imagem clássica, de um senhor, já é em si, um desafio diário. Porque lidamos apenas com esteriótipos, bem engessados.
Durante esse tempo, eu já fui de todas orientações possíveis: Hétero, Gay e Bi.
Mas foi como gay, que eu me encontrei mais perdido.
Minhas questões nunca foram externas, como a homofobia, eu sempre fui muito seguro de mim, para me importar com recalques, e toda sorte de ignorância alheia.
Minha bagunça se deu, porque foi na homossexualidade que me vi, mais bicho do que homem, lançado nas grutas mais intensas da minha alma.
Tudo se tornou emotivo, perigoso, uma vez que sempre me vi á margem dos meus próprios abismos. Ser gay é um confronto.
Eu não tenho intenção de concluir nada, aqui. Estabelecer novas fronteiras. Nada.
Sou, como dito,um cientista.
Um filosofo de boteco.
Um homem que se entende viado [a definição que mais me diverte], tem impasses incríveis.
Começa, se ele sente o desejo de penetrar ou ser penetrado.
Ser penetrado é literalmente se deixar invadir por mais que outro corpo, mas por outro sujeito que vem por completo, por inteiro.
É romper divisões internas, estar aberto para ser visitado.
Algo pra mim, inconcebível, embora a curiosidade e o desejo, porque sou de uma geração fria, de formação intelectual.
Chutei as emoções para bem longe, pra dentro, bem cedo, ainda criança. Eu me escondi num mundo meu.
Muitos homens, do gueto, se entendem passivos ou ativos ou os dois, como fosse tudo minimizado em questões de papeis geográficos e biológicos.
Quem entra com o pau e quem entra com o resto.
O único gozo gerado neste sexo tão sistêmico é o genital. Não mais que isso.
E enquanto hindus tântricos, como metade de mim, evocam o sexo como meio e não fim, para uma transmutação do todo, no ocidente o buraco é bem mais embaixo.


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